Nem Todo o Desespero É Desesperador

30/06/08

Hoje eu estava na minha sala no trabalho quando um cliente ligou para meu assistente desesperado com uma reclamação durante uma vistoria dos bombeiros em seu restaurante.

- Olha, eles condenaram tudo o que está aqui, se continuar assim vão me autuar e talvez até fechar o estabelecimento. Pelo amor de Deus me ajudem!

- Calma senhor, vamos mandar nossos técnicos avaliar e vamos corrigir o quanto antes.

- Mandem logo, não podemos esperar!

Quando meu assistente desligou, conversei com ele e decidi ir junto com um dos rapazes de minha equipe. Um desespero desse só poderia ser por um vacilo muito grande do pessoal, então eu queria ver pessoalmente.

Quando chegamos, aguardamos um pouco e fomos recebidos pelo responsável pela manutenção que, bem mais tranquilo que o dono do local, nos chamou para mostrar a solicitação dos bombeiros.

- Aqui pessoal, os bombeiros disseram que precisava trocar estas duas mangueiras aqui.

- Só isso? – Perguntei sem entender tamanho alarde.

- É, só isso, se não trocar em um mês eles vão nos autuar.

- Então nós temos um mês para trocar duas mangueiras?

- É, eu falei para o Sr. Eurípedes que não tinha emergência, mas ele ficou desesperado com o jeito que os bombeiros passaram a notificação para ele. Acho que ficou nervoso a toa.

- Realmente, nós temos isso no estoque e, na realidade, se formos a fundo na discussão, não precisa nem mesmo trocar. Para evitar problemas a gente troca logo.

- Tá bom então, era só isso.

Um pouco chateado por ter perdido minha tarde toda com isso, mas feliz pelo passeio forçado, imaginei a situação que os ficais colocaram o dono do restaurante, pois ele teve seu negócio ameaçado sem nem saber o que realmente estava acontecendo. Dois problemas nesse caso:

1. Os bombeiros deveriam ter tido mais tato na forma de notificar, pois dependendo da forma como falamos as coisas podemos piorar muito a mensagem que queremos passar.

2. Antes de sair dando tiros para cima do meu pessoal, o proprietário do estabelecimento deveria ter analisado com mais cautela o que estava sendo pedido, pois o bom senso mostraria a ele o quanto era simples e, se necessário, ele mesmo poderia fazer no mesmo dia.

Pensar antes de agir, para ambos os casos seria o segredo para evitar problemas maiores do que você já tem.

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Mudando de assunto, recebi uma cópia do documentário baseado no livro “O Segredo”. Assisti metade, mas é a pior coisa que já vi. Vou escrever meu próximo post sobre ele, porém preciso de mais tempo para tamanha crítica à tanta bobagem junta.


Um Dia Emocionante no Trabalho

27/06/08

Hoje não foi um dia comum de trabalho. Fomos visitar uma cliente para avaliar como andam as coisas e tive uma experiência que mexeu comigo.

Logo ao chegarmos no local, fomos recepcionados pela diretora do clube e por um menininho de uns 3 anos de idade todo sorridente. Com muito carinho perguntei para ele:

- Oi! Qual seu nome?

- Paulo Vitor Shilva Coshta!

- Poxâ, e onde estão sua mãe e seu pai?

- Minha mãe eshtá em Cametá. Meu pai eshtá ali!

Olhei para trás e vi um rapaz novo dando manutenção no encanamento da cozinha do clube. Voltei a conversar com a diretora do local e o garoto sempre por perto e sorridente. Não entendi a razão, mas naquele momento a senhora pediu para ele entrar para comer bolo. Para ele isso foi mais um motivo de sorriso. Então começamos a conversar sobre vários assuntos, dentre os quais um, sem querer, virou o mais importante do dia.

- Sabe, há um mês atrás a mãe do Paulo Vitor morreu – comentou com tristeza a senhora.

- Puxa vida, mas ele disse que a mãe está viajando!

- O pai não teve coragem de contar, agora nenhum de nós tem. O garoto é um amor e estamos todos muito preocupados com isso, ele está morrendo de saudade da mãe e vive perguntando por ela. É de partir o coração. As duas irmãs mais velhas sabem, mas querem contar e, ainda, maltratam o garoto, acho que também estão sofrendo muito, ainda mais com ele perguntando tanto por ela.

Nessa hora fiquei sem saber o que falar e apenas fiquei escutando com o coração nas mãos, principalmente quando olhei para trás e vi o menino todo satisfeito com a boca cheia de bolo.

- O pior não é isso – continuou a senhora – hoje ele me procurou para dizer que lembrou de uma coisa muito boa que a mão dele fazia, sentou do meu lado e disse: “Peixe frito com macarrão, é tão bom quando a mamãe faz pra mim!”.

O assunto continuou, mas não consegui me concentrar, comecei a imaginar a vontade de abraçar a mãe que ele tinha, do carinho que talvez o pai não faça , das brincadeiras que ela fazia com ele, do cheiro que certamente faz muita falta, das sonecas agarrado a ela, além de muitas outras coisas que somente o menininho sabe, como sabe.

Quando cheguei lembrei novamente do Paulo Vitor quando olhei para minha esposa e filha de 9 meses, estavam juntas na cama dormindo, ambas estão gripadas. Como fiquei feliz em saber que elas tem a mim e eu tenho as duas para nos confortarmos de todas as coisa e nos fazer rir a todo tempo. Que alegria! Graças a Deus!

Voltei então a refletir no quanto é importante não desperdiçarmos um só segundo ao lado de quem amamos, devemos aproveitar com todo nosso vigor. Não sabemos quanto tempo teremos ao lado de nossos pais, mães, irmãs, filhos, esposas ou maridos e qualquer outra pessoa que nos seja importante.

Pode parecer piegas, mas cada momento que ganhamos com nossa família não tem preço, não há sucesso profissional no mundo que pague isso, não há carreira que justifique nossa ausência na vida de nossos filhos e conjugês.

Se não acreditam, perguntem ao menino Paulo Vitor. Ele, de um jeito simples, transformou meu dia de trabalho em dia de reflexão, talvez o mais importante de toda a minha carreira. Certamente ele nem sabe disso, mas jamais me esquecerei dele e o seu sorriso moleque me ensinando a valorizar o que realmente importa na vida.


Trabalhar Prá Quê?

23/06/08

Tem uma máxima (ou mínima) que diz: “Quem trabalha não tem tempo para ganhar dinheiro!”. Talvez até seja verdade, mas não para dinheiro honesto, pois todo dinheiro ganho com dignidade é trabalhoso.

Atualmente, com a situação social que vivemos, é muito fácil convencer as pessoas a dar o batalhado dinheiro em troca de um conforto através de promessas espirituais e predições sobre um futuro melhor. Muita má fé na verdade, pois trata-se de brincar com a esperança de muitos que não tem mais para onde recorrer.

Pode não parecer, mas sou protestante e da linha considerada tradicional (ou histórica como preferimos dizer) dos Batistas. Infelizmente a cada dia tenho que dar razão aos céticos que criticam todo e qualquer tipo de fé, pois a todo tempo surge uma nova onda de charlatanismo que acaba por levar muita gente, inclusive com certo nível de instrução.

Recentemente, só por brincadeira entrei no página da tal Mãe Dinah, mas o que percebi foi coisa séria. Um monte de promessas e falsas esperanças a pessoas que venham a navegar pela página desta senhora, mas nada de concreto. Me escrevi para receber números que mudariam minha vida, somente no intuito de verificar até onde chegaria esta proposta, porém, infelizmente (ou felizmente), ainda não recebi os meus números. Talvez alguém ainda diga que ela adivinhou que eu entrei lá só para analisar o que acredito ser picaretagem, se for o caso, como ela não adivinhou a falsa entrevista dos humoristas do CQC (ver abaixo)?.

Para esse tipo de pessoa, incluo aqui um monte de “Bispos” que andam enganando as pessoas, realmente não há razão para trabalhar, é muito fácil arrancar dinheiro das pessoas que estão desesperadas. Além disso, quando dá certo, o mérito é do “trabalho espiritual” realizado pelo místico, mas quando não funciona, foi a falta de fé do pobre cidadão que foi enganado, que sai ainda mais desesperado da situação.

Não estou tentando fazer desse artigo uma abordagem de fé (para tal pretendo abrir outro blog), mas de responsabilidade com você mesmo e sua família. Se você precisa mudar sua situação, busque apoio em sua família para lutar, vai ser demorado, mas é possível. Deus pode te ajudar, mas não é nenhum gênio da lâmpada para sair realizando desejos, principalmente nos problemas que nós mesmo nos colocamos.


Quero Ser Digitador de CC Quando eu Crescer!

19/06/08

Acredito que muita gente ouviu falar na tecnologia Closed Caption (CC para os íntimos). Trata-se de um sistema de legenda para a televisão comum, sendo que o usuário decide se quer usar ou não.

Desde que minha filha nasceu, tenho utilizado o CC (olha o trocadilho ai gente) para evitar o barulho com televisão quando ela está dormindo. É muito divertido, principalmente quando é programa ao vivo, os erros são constantes, os comentários sobre o som são toscos demais. Não sei se tem um digitador que, igual ao um taquígrafo, vai digitando tudo o que é falado, mas dá muita bobagem. Depois que comecei a utilizar virou vício, preciso acompanhar o CC, fica melhor ainda ouvindo o que está sendo falado.

Para um deficiente auditivo pode dar até confusão quanto a informação. Ontem em uma programa o cara disse: “Eu troxe um pedido para você.”, no CC saiu: “Eu trouxe um PEIDO para você.” Tem como não se divertir com um negócio desses.

Outra coisa legal são os comentários sobre os sons ambientes, tem de todo o tipo:

“Burburinhos” – um monte de pessoas falando em uma cena da TV.

“Musica suave de fundo” – se eu precisar explicar este, desista de ler qualquer outro post aqui!

“Som de pessoa correndo” – adianta dizer para um surdo que na cena tem o som de uma pessoa correndo, ele nunca ouviu mesmo!

Sem contar um símbolo de musiquinha tocando que eles insistem em colocar.

Acredito que deve ser um trabalho meio estressante, especialmente quando os programas são ao vivo. Os caras devem ficar desesperados. Deve ter gente que não aguenta e só de mal muda os textos para confundir o pobre deficiente auditivo.

Confesso que fiquei com vontade de trabalhar com isso, se alguém souber como faço entra em contato.

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Estive pensando (não, não fedeu). Ninguém além do Ronaldo tentou responder o desafio do post anterior, será que é tão difícil assim? Vou dar uma dica “É um trocadilho com origem na inglês estadusunidense).


Quem Cortou o Meu Queijo*

13/06/08

Me diz uma coisa, você já teve a oportunidade de ler o livro infantil Quem Mexeu No Meu Queijo” de Spencer Jonhson? Se leu acredito que percebeu que este clássico da auto-ajuda menospreza totalmente nossa inteligência. Caso não tenha lido, vou te passar a mensagem de forma respeitosa: Mudanças podem ser positivas, quando algum panorama estiver alterando, procure alternativas para seu dia-a-dia, não fique preso a conceitos arraigados que não te permitem ver novos horizontes, você precisa se adaptar. Pronto não precisa mais ler o livro. Tudo bem, eu sei que tem mais detalhes, mas não vale a pena perder tempo com isso.

Conforme um resumo bem básico que achei na internet, o conto ocorre com essa base:

“Os quatro personagens imaginários descritos nesta história os ratos: Sniff e Scurry, e os duendes: Hem e Haw – tem a intenção de representar as partes simples e complexas de nós mesmos, independentemente de nossa idade, sexo, raça ou nacionalidade.

Às vezes podemos agir como Sniff que percebe a mudança logo, ou Scurry que sai correndo em atividade, ou Hem que rejeita a mudança, resistindo-lhe, assim como teme que ela leve a algo pior, ou Haw que aprende a se adaptar a tempo, quando percebe que a mudança leva a alguma coisa melhor !

Quaisquer que sejam as partes de nós que escolhemos utilizar, todos nós dividimos algo em comum: a necessidade de encontrar nosso caminho no labirinto e ser bem-sucedido em períodos de mudanças.”

A mensagem do texto nos é apresentanda como uma estória para criança, por isso fico chateado com esse tipo de literatura, pois trata as pessoas como se elas não tivessem crescido. Concordo com muito da visão do autor, só não gosto da forma como é passada. Com toda sinceridade, pretendo no futuro ensinar minha filha com esse tipo de livro, jamais um profissional maduro.

Não entendo a razão de tanta alarde sobre este livro, pois a mesma mensagem poderia ser passada de forma bem humorada e direta, com exemplos práticos de nossa vida (lembram-se do exemplo que dei no post O Bicho Puxa-Saco). Se alguém precisa de contos infantis para entender uma mensagem como essa, me desculpem, mas tem algo errado com essa pessoa.

Vocês precisam de um livro para ajudar a entender como se comportar diante de uma mudança drástica e necessidade de adaptação? Leiam “Robson Crusoé” de Daniel Defoe. Um texto inteligente e muito mais interessante que dois duendes e dois ratinhos. Pode ter certeza que você tem senso crítico para ler este livro e encontrar lições para lidar com as mudanças de seu dia-a-dia.

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* Só um pequeno desafio (muito pequeno mesmo): a primeira pessoa que explicar corretamente o trocadilho que fiz com o título no post em referência ao título do livro ganha um exemplar de Robson Crusoé. Eu mando direto para casa do vencedor, é garantido!


Quando o Gato Sai…

11/06/08

É impressionante como o simples fato do chefe estar por perto faz com que as pessoas trabalhem mais, ou pelo menos finjam. Não sei se é por causa do medo, respeito ou é pura cara-de-pau, mas toda as vezes que meus chefes não estavam por perto eu parava de trabalhar – Estou falando no passado porque a minha chefinha atual pode descobrir que tenho este blog e ler este post, ai o bicho pode pegar.

Quando trabalhava em uma refinaria, era só o nosso gerente sair de férias que a galera do setor começava a preparar uma escala de folga durante as semanas de ausência dele. Fazíamos tudo muito organizadamente para não dar problema. Quando o chefe estava para retornar de férias, nos concentrávamos um pouco mais no trabalho para deixar todas as pendências em dia, dessa forma ele acharia que tínhamos trabalhado muito. Por vezes eu achava que se nós fôssemos organizados assim no nosso trabalho tudo seria mais fácil.

Fator importante para atentarmos com essa atitude era que na verdade nós dávamos conta das nossas atividades, mas quando o chefe estava por perto demorávamos mais para valorizar.

Atualmente o chefe do setor onde trabalho sou eu. Sei como a galera se comporta quando não estou por perto, na verdade até gosto que seja assim. Todos nós temos metas a cumprir, se você conseguir fazer tudo que lhe é dado por responsabilidade, não tenho razão para me preocupar. Sei com isso que minha equipe pode dar mais do que ela faz quando for necessário. Não adianta exigirmos o máximo do pessoal quando só precisamos de uma parte de seus esforços, pois quando a necessidade surgir, nossas equipes não terão de onde tirar mais esforço e dedicação.

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Vai Dar Parabéns Pra Tuas Nega!

8/06/08

Encontrava-me em uma reunião que fora convocado sem entender nada do assunto. No mais absoluto silêncio tive o prazer de assistir a seguinte conversar.

- Então, já sabem como resolver a porcaria do problema! – Esbravejou o gerente da área.

- A minha parte eu já fiz! – comenta Aldenor, na defensiva – O problema está com o Demerval!

Um clima pesado se forma na reunião. Demerval sabe o que fazer, mas espera uma reação negativa do chefe. Ele tinha razão, o gerente ia mesmo perder o controle. Eu continuei calado.

- QUE BOSTA DEMERVAL! COMO VAI SER AGORA!

- Basta ligarmos as bombas A e B enviando ao tanque A e tudo se resolve.

- Muito bem, é isso que precisamos, pessoas que resolvam o problema.

Neste momento, como o clima aparentava melhorar, Aldenor resolve abrir o bico.

- Excelente Demerval! Você está de Parabéns! Parabéns mesmo.

- Parabéns por quê? Você não tinha feito sua parte? Pois então, eu fiz a minha. Tá querendo aparecer é? Teu parabéns não vale nada pra mim!

- Cara eu só estou te elogiando.

- Elogiando! Você tá é querendo aparecer pro chefe! Vai dar parabéns pra tuas nega!

Neste momento o chefe resolve interferir

- Pessoal, vamos parar de bobagem, o problema já foi resolvido, sigamos em frente, somos uma equipe!

Todos se calaram e foram para seus cantos quietos. O único intuito de todos era sair de perto daquele que a qualquer momento poderia dar uma cacetada em alguém.

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O relato acima também é verdadeiro, assim como no post anterior (Créu). Existem pontos interessantes a serem observados, mas deixo por conta dos que resolverem comentar. O único ponto que levanto é que se você gerar um clima de medo na equipe, todos vão ficar só se defendendo, ninguém vai pensar em ajudar os outros. O único objetivo é não tomar um Créu.

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CRÉU

5/06/08

PLAM!

Uma forte batida sobre a mesa espanta todos da equipe que participavam da reunião.

- COMO OS TANQUES NÃO FICAM PRONTOS HOJE! – Esbraveja o gerente da área.

- Não sei, eu apenas procedo com as atividades após os tanques ficarem prontos – responde Demerval.

Com um olhar animal e maligno, o gerente procura entre todos oito indivíduos que estão na mesa de reunião, deparando-se com o jovem Genésio, o novato da equipe.

- CACETE GENÉSIO! Como é que você deixou isso acontecer?!

- Mas chefe, eu não cuido dos tanques, meu setor é outro – responde Genésio assustado.

- Você cuida de tanques sim!

- Nunca soube que isso era minha responsabilidade…

- Agora sabe, então responde minha pergunta!

- Mas, mas, mas eu…

- Mas o CACETE! – grita mais uma vez o gerente – Tu tens que te espertar, como é que você deixa isso acontecer, e agora como vai resolver! E o Prejuízo, você imagina quanto vai ser, se fosse do seu bolso estava cuidando melhor. Se quiser crescer aqui, meu amigo, vai ter que mudar muito a sua postura! Te vira e resolve o problema! Para mim você está assinando atestado de incompetência!

- Chefe – Interrompe Demerval – O Genésio não tem nada com isso não…

- Eu não pedi tua opinião! Agora vão os dois daqui e resolvam o problema!

Enquanto isso, todo o resto da equipe se mantém de cabeça baixa, além do nervosismo que impera no ar, um silêncio frio e preocupado com quem seria o próximo a sofrer nas mãos do Chefe.

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Por incrível que pareça, essa história é verdadeira. Eu fui um dos que fiquei calado de cabeça baixa. Outras vezes levei o créu, enquanto os outros ficavam de cabeça baixa.

Hoje não trabalho mais com essa pessoa, mas foi uma das coisas que me fizerem procurar outro trabalho.


O Exemplo de Franz Kafka

3/06/08

“Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto”.

Quem já teve o enorme prazer de ler o livro “A Metamorfose” de Franz Kafka, sabe o valor deste livro para sociedade, principalmente por sua mensagem atual e verdadeira. É importante que o leitor busque contextualizar a situação do autor antes de chegar em alguma conclusão sobre a obra.

O livro trata da situação de Gregor Samsa ao acordar transformado em um inseto gigante, além todas as dificuldades que ele e sua família passam por conta do ocorrido.

Não quero fazer uma análise do livro, mas somente do comportamento de um único indivíduo: O Chefe do Sr. Samsa.

Por ser arrimo de família, Gregor sofre com a impossibilidade de sair para trabalhar, tendo em vista que estava trancado em seu quarto e não conseguia nem abrir a porta. Ele tinha absoluta certeza que seria demitido se não comparecesse para trabalhar, apesar de encontrar-se incapacitado.

Em um determinado momento chega o “Chefe do Escritório” para saber da ausência de seu funcionário. Se percorrermos o texto vamos observar algo bem parecido com que vemos hoje em dia, um chefe que finge estar preocupado com o empregado, quando na verdade sua preocupação está na perda de um dia de trabalho do seu funcionário.

Um ponto marcante é o fato que em todo momento o chefe expressa sua insatisfação com a possível doença, sua desconfiança com Gregor e, principalmente, a possibilidade forte de demissão.

Não é incomum vermos que atualmente coisas parecidas acontecem todos os dias, a maioria dos líderes não confia em sua equipe e acreditam que a única coisa importante é a empresa. Esquecendo que sem a equipe uma empresa não existe.

Se observarmos o texto de Kafka, logo no primeiro capítulo vamos perceber o desespero que a atitude de seu chefe gera para o empregado e sua família, desestruturando os pensamentos da personagem, levando-o a tomar atitudes desesperadas e assustando sua família.

Os líderes que agem de tal forma só conseguem uma equipe insatisfeita e nervosa por não ter a compreensão e confiança de seu “chefe”. Uma grande tensão é gerada e a porta do diálogo sincero e produtivo fecha abrupta e definitivamente.

Infelizmente tive a oportunidade de presenciar algumas vezes este tipo de acontecimento. Chega a ser ridículo ouvir de um gerente que seu companheiro de trabalho doente só faz falta por causa de suas obrigações na empresa. Não fosse a intervenção da assistente social, um colega de profissão, operado de um cisto no reto, teria recebido um notebook em casa para continuar suas atividades.

Será que não estamos agindo dessa forma com nossos liderados? Será que estamos preparados para olhar os profissionais como pessoas? Não acredito nessa estória de separar o profissional do pessoal, pois os profissionais são pessoas, nunca conseguiremos separar as duas figuras.

É incrível como Franz Kafka consegui escrever em 1915 um texto que possui uma reflexão tão importante para os profissionais de hoje e, principalmente, para nossas vidas pessoais. Acredito que em um ambiente assim, uma equipe está fadada ao fracasso.


Desisti de Ler “O Monge e o Executivo”

1/06/08

Tentei com todo meu apreço terminar de ler o Livro “O Monge e o Executivo“, mas infelizmente não deu, prometo que tento novamente nas minhas férias. Meu objetivo era tentar fazer uma crítica ao mesmo, mas o livro é tão ruim que eu desisto de analisar capítulo a capítulo buscando uma exegese sensata do texto, evitando que eu parecesse um idiota que não entendeu a mensagem do livro.

O que mais me irrita é que somos tratados como imbecis pelo autor, o qual ao invés de discorrer sobre o assunto, tenta nos levar a uma sessão de terapia em grupo com os personagens representando os tipos de líderes mais comuns, os quais precisam de conselhos profissionais. A pior parte é que essa terapia é dirigida por um monge que trabalhou tanto a ponto de não ter aproveitado bem família, se isolou no monastério após perder a esposa e, conforme o livro, quer orientar as pessoas como serem melhores líderes para poderem trabalhar mais e melhor. Um contra-senso que deveria chamar a atenção de todos.

Em outro texto me expressei por não gostar de livros de auto-ajuda, o que certamente influenciou minha leitura deste exemplar. Ainda sim, afirmo que um pouco de bom senso e uma explanação direta sobre liderança pode ajudar muito mais as pessoas que estão em dificuldades no assunto, é melhor do que a tentativa de tratá-los como indivíduos que não tem capacidade de pensar sozinhos.

Não entendo muito bem como esses tipos de livros acabam por fazer tanto sucesso, talvez seja uma grande angústia trazida pelas pressões exacerbadas da vida profissional contemporânea, ou uma exigência ainda maior pela produtividade cada vez mais aprimorada com custos cada vez menores. Acredito que isso só está piorando as pessoas, ao contrário do que a grande mídia carreirista vem pregando.

Outro ponto que me irrita é o fato de haver um grupo enorme de aproveitadores explorando os fãs do livro através de palestras, artigos, livros que analisam o livro, entre outras coisas que tem por objetivo único o lucro.

Andei conversando com um amigo meu, chegamos a conclusão que hoje não é mais necessário escrever um bom livro para ganhar dinheiro. Na verdade basta esperar que alguém escreva um livro que faça sucesso e depois lançar um outro livro sobre como usar o primeiro. Tivemos a idéia de lançar o nosso, o título vai ser: “O Monge Que Mexeu no Meu Queijo e O Executivo que Transformou o Suor em Ouro”. Vamos ficar ricos!

Falando sério agora, acredito que se quisermos mesmo melhorar como pessoas através da leitura, é muito melhor lermos autores Jorge Amado, Kafka, Shakespeare, Dostoiévski, além de muito outros que nos trazem muito mais mensagens que devemos levar para vida do que livros de auto-ajuda.

Não leve minha mensagem como arrogante. Na verdade eu apenas acredito que as pessoas são muito mais capazes do que vemos pregado por aí, basta darmos a chance para pensarem sozinhas. Ninguém precisa sofrer uma lavagem cerebral para viver bem.