Desisti de Ler “O Monge e o Executivo”

Tentei com todo meu apreço terminar de ler o Livro “O Monge e o Executivo“, mas infelizmente não deu, prometo que tento novamente nas minhas férias. Meu objetivo era tentar fazer uma crítica ao mesmo, mas o livro é tão ruim que eu desisto de analisar capítulo a capítulo buscando uma exegese sensata do texto, evitando que eu parecesse um idiota que não entendeu a mensagem do livro.

O que mais me irrita é que somos tratados como imbecis pelo autor, o qual ao invés de discorrer sobre o assunto, tenta nos levar a uma sessão de terapia em grupo com os personagens representando os tipos de líderes mais comuns, os quais precisam de conselhos profissionais. A pior parte é que essa terapia é dirigida por um monge que trabalhou tanto a ponto de não ter aproveitado bem família, se isolou no monastério após perder a esposa e, conforme o livro, quer orientar as pessoas como serem melhores líderes para poderem trabalhar mais e melhor. Um contra-senso que deveria chamar a atenção de todos.

Em outro texto me expressei por não gostar de livros de auto-ajuda, o que certamente influenciou minha leitura deste exemplar. Ainda sim, afirmo que um pouco de bom senso e uma explanação direta sobre liderança pode ajudar muito mais as pessoas que estão em dificuldades no assunto, é melhor do que a tentativa de tratá-los como indivíduos que não tem capacidade de pensar sozinhos.

Não entendo muito bem como esses tipos de livros acabam por fazer tanto sucesso, talvez seja uma grande angústia trazida pelas pressões exacerbadas da vida profissional contemporânea, ou uma exigência ainda maior pela produtividade cada vez mais aprimorada com custos cada vez menores. Acredito que isso só está piorando as pessoas, ao contrário do que a grande mídia carreirista vem pregando.

Outro ponto que me irrita é o fato de haver um grupo enorme de aproveitadores explorando os fãs do livro através de palestras, artigos, livros que analisam o livro, entre outras coisas que tem por objetivo único o lucro.

Andei conversando com um amigo meu, chegamos a conclusão que hoje não é mais necessário escrever um bom livro para ganhar dinheiro. Na verdade basta esperar que alguém escreva um livro que faça sucesso e depois lançar um outro livro sobre como usar o primeiro. Tivemos a idéia de lançar o nosso, o título vai ser: “O Monge Que Mexeu no Meu Queijo e O Executivo que Transformou o Suor em Ouro”. Vamos ficar ricos!

Falando sério agora, acredito que se quisermos mesmo melhorar como pessoas através da leitura, é muito melhor lermos autores Jorge Amado, Kafka, Shakespeare, Dostoiévski, além de muito outros que nos trazem muito mais mensagens que devemos levar para vida do que livros de auto-ajuda.

Não leve minha mensagem como arrogante. Na verdade eu apenas acredito que as pessoas são muito mais capazes do que vemos pregado por aí, basta darmos a chance para pensarem sozinhas. Ninguém precisa sofrer uma lavagem cerebral para viver bem.

7 Respostas para “Desisti de Ler “O Monge e o Executivo””

  1. Clécia Disse:

    Olá! Obrigada pela visita no Mar Azul! Nunca li ” O Monge e o Executivo”. É muito raro que eu leia livros de auto-ajuda, mas alguns são até bons. Continuo preferindo ficção mesmo. Gosto demais de Literatura. Agora, um defeito (ou qualidade?) não consigo abandonar a leitura de um livro. Mesmo que seja ruim, sempre fico curiosa para chegar até o fim. rs Gostei do seu blog! Uma ótima semana para ti.

  2. Renata Disse:

    Tbm comecei a ler esse livro e não consegui passar da metade. Não gosto de auto ajuda mas fiquei curiosa quando ouvi uma pessoa falar que adorou – justamente uma pessoa que era uma péssima líder. E aí cheguei à conclusão de que as pessoas devem achar bonito dizer que gostaram do livro, só pode ser… porque quem eu conheço que mais gostou são justamente pessoas que praticam exatamente o contrário do que o livro prega.
    Concordo com você: autores clássicos nos ensinam muito mais. Só tenho dúvidas da capacidade da menta restrita desses “líderes” de enxergar esses ensinamentos em obras tão diversas da realidade que eles estão acostumados.

  3. j2megamedev Disse:

    Oi, ainda não desisti de ler, apenas parei por um tempo. Por sorte é um e-book gratuito que se encontra facilmente na net.
    Concordo com você em alguns pontos:
    * O livro mais parece um livro infantil;
    * Repeti tanto coisas insignificantes que dá a impressão de já ter lido aquele trecho;
    * A história do monge é intragável;
    Mas, em outros pontos é interessante. Por exemplo:
    * Quando chama nossa atenção para o tipo de criação que tivemos e que daremos aos nossos filhos. Hoje que estou me preparando para algum dia ter minha empresa, sinto muita falta de um aprendizado sobre empreendedorismo;
    * Como é importante ter esse conhecimento;
    Deixei o livro de lado por que demorarei muito tempo para aprender as coisas que livros especializados ensinam + rapidamente. Algum dia volto a lê-lo para distração.

  4. Guilherme Disse:

    Só consigo ler livros sobre o sucesso corporativo e autoajuda apelando para o bom humor. Nessa hora, me lembro sempre dos bons tempos do Planeta Diário, são livros para você autoajudar o autor a ganhar mais dinheiro.

  5. Maria Carolina Nomura Disse:

    Olá, estou fazendo uma matéria sobre a Bienal do Livro para o caderno de Empregos e Carreiras da Folha de S. Paulo, sob o enfoque dos livros de carreiras. Gostaria de saber se você topa me dar uma entrevista sobre o seu olhar crítico. Obrigada, Carolina

  6. Lara Disse:

    Que bom que não foi só eu. Estava me sentindo uma ET pois, todos amavam esse livro e eu nem mesmo consegui ler…

  7. Fábio Nunes Disse:

    Nossa eu também estava me sentindo uma pessoa de outro mundo por não ter gostado deste livro, não passei da metade igual o do caçador de pipas todos adoraram somente eu detestei, ou os outros tem vergonha de dar sua opinião própria, ou sei lá…

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