“Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto”.
Quem já teve o enorme prazer de ler o livro “A Metamorfose” de Franz Kafka, sabe o valor deste livro para sociedade, principalmente por sua mensagem atual e verdadeira. É importante que o leitor busque contextualizar a situação do autor antes de chegar em alguma conclusão sobre a obra.
O livro trata da situação de Gregor Samsa ao acordar transformado em um inseto gigante, além todas as dificuldades que ele e sua família passam por conta do ocorrido.
Não quero fazer uma análise do livro, mas somente do comportamento de um único indivíduo: O Chefe do Sr. Samsa.
Por ser arrimo de família, Gregor sofre com a impossibilidade de sair para trabalhar, tendo em vista que estava trancado em seu quarto e não conseguia nem abrir a porta. Ele tinha absoluta certeza que seria demitido se não comparecesse para trabalhar, apesar de encontrar-se incapacitado.
Em um determinado momento chega o “Chefe do Escritório” para saber da ausência de seu funcionário. Se percorrermos o texto vamos observar algo bem parecido com que vemos hoje em dia, um chefe que finge estar preocupado com o empregado, quando na verdade sua preocupação está na perda de um dia de trabalho do seu funcionário.
Um ponto marcante é o fato que em todo momento o chefe expressa sua insatisfação com a possível doença, sua desconfiança com Gregor e, principalmente, a possibilidade forte de demissão.
Não é incomum vermos que atualmente coisas parecidas acontecem todos os dias, a maioria dos líderes não confia em sua equipe e acreditam que a única coisa importante é a empresa. Esquecendo que sem a equipe uma empresa não existe.
Se observarmos o texto de Kafka, logo no primeiro capítulo vamos perceber o desespero que a atitude de seu chefe gera para o empregado e sua família, desestruturando os pensamentos da personagem, levando-o a tomar atitudes desesperadas e assustando sua família.
Os líderes que agem de tal forma só conseguem uma equipe insatisfeita e nervosa por não ter a compreensão e confiança de seu “chefe”. Uma grande tensão é gerada e a porta do diálogo sincero e produtivo fecha abrupta e definitivamente.
Infelizmente tive a oportunidade de presenciar algumas vezes este tipo de acontecimento. Chega a ser ridículo ouvir de um gerente que seu companheiro de trabalho doente só faz falta por causa de suas obrigações na empresa. Não fosse a intervenção da assistente social, um colega de profissão, operado de um cisto no reto, teria recebido um notebook em casa para continuar suas atividades.
Será que não estamos agindo dessa forma com nossos liderados? Será que estamos preparados para olhar os profissionais como pessoas? Não acredito nessa estória de separar o profissional do pessoal, pois os profissionais são pessoas, nunca conseguiremos separar as duas figuras.
É incrível como Franz Kafka consegui escrever em 1915 um texto que possui uma reflexão tão importante para os profissionais de hoje e, principalmente, para nossas vidas pessoais. Acredito que em um ambiente assim, uma equipe está fadada ao fracasso.