Um Dia Emocionante no Trabalho

Hoje não foi um dia comum de trabalho. Fomos visitar uma cliente para avaliar como andam as coisas e tive uma experiência que mexeu comigo.

Logo ao chegarmos no local, fomos recepcionados pela diretora do clube e por um menininho de uns 3 anos de idade todo sorridente. Com muito carinho perguntei para ele:

- Oi! Qual seu nome?

- Paulo Vitor Shilva Coshta!

- Poxâ, e onde estão sua mãe e seu pai?

- Minha mãe eshtá em Cametá. Meu pai eshtá ali!

Olhei para trás e vi um rapaz novo dando manutenção no encanamento da cozinha do clube. Voltei a conversar com a diretora do local e o garoto sempre por perto e sorridente. Não entendi a razão, mas naquele momento a senhora pediu para ele entrar para comer bolo. Para ele isso foi mais um motivo de sorriso. Então começamos a conversar sobre vários assuntos, dentre os quais um, sem querer, virou o mais importante do dia.

- Sabe, há um mês atrás a mãe do Paulo Vitor morreu – comentou com tristeza a senhora.

- Puxa vida, mas ele disse que a mãe está viajando!

- O pai não teve coragem de contar, agora nenhum de nós tem. O garoto é um amor e estamos todos muito preocupados com isso, ele está morrendo de saudade da mãe e vive perguntando por ela. É de partir o coração. As duas irmãs mais velhas sabem, mas querem contar e, ainda, maltratam o garoto, acho que também estão sofrendo muito, ainda mais com ele perguntando tanto por ela.

Nessa hora fiquei sem saber o que falar e apenas fiquei escutando com o coração nas mãos, principalmente quando olhei para trás e vi o menino todo satisfeito com a boca cheia de bolo.

- O pior não é isso – continuou a senhora – hoje ele me procurou para dizer que lembrou de uma coisa muito boa que a mão dele fazia, sentou do meu lado e disse: “Peixe frito com macarrão, é tão bom quando a mamãe faz pra mim!”.

O assunto continuou, mas não consegui me concentrar, comecei a imaginar a vontade de abraçar a mãe que ele tinha, do carinho que talvez o pai não faça , das brincadeiras que ela fazia com ele, do cheiro que certamente faz muita falta, das sonecas agarrado a ela, além de muitas outras coisas que somente o menininho sabe, como sabe.

Quando cheguei lembrei novamente do Paulo Vitor quando olhei para minha esposa e filha de 9 meses, estavam juntas na cama dormindo, ambas estão gripadas. Como fiquei feliz em saber que elas tem a mim e eu tenho as duas para nos confortarmos de todas as coisa e nos fazer rir a todo tempo. Que alegria! Graças a Deus!

Voltei então a refletir no quanto é importante não desperdiçarmos um só segundo ao lado de quem amamos, devemos aproveitar com todo nosso vigor. Não sabemos quanto tempo teremos ao lado de nossos pais, mães, irmãs, filhos, esposas ou maridos e qualquer outra pessoa que nos seja importante.

Pode parecer piegas, mas cada momento que ganhamos com nossa família não tem preço, não há sucesso profissional no mundo que pague isso, não há carreira que justifique nossa ausência na vida de nossos filhos e conjugês.

Se não acreditam, perguntem ao menino Paulo Vitor. Ele, de um jeito simples, transformou meu dia de trabalho em dia de reflexão, talvez o mais importante de toda a minha carreira. Certamente ele nem sabe disso, mas jamais me esquecerei dele e o seu sorriso moleque me ensinando a valorizar o que realmente importa na vida.

2 Respostas para “Um Dia Emocionante no Trabalho”

  1. ronaldocgq Disse:

    Ao ler este post, apesar de não te conhecer pessoalmente, aconteceu uma coisa curiosa. Você subiu no meu conceito. A sensibilidade de refletir sobre esse tipo de acontecimento, considerá-lo importante e expor isso é uma qualidade infelizmente rara nos dias de hoje… Parabéns.

  2. taís Disse:

    ce’t la vi

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