Como Fracassar Facilmente

24/07/08

Estive conversando com um grande amigo meu sobre algumas situações que ele vem observando na empresa em que trabalha. Não acreditei no que ouvi, principalmente porque a diretoria estava aplaudindo idéias, as quais por serem tão idiotas deveriam constar como anedotas corporativas.

O mais preocupante é o fato de tratar-se de uma empresa que deveria ter um sistema de gestão impar, até pela imagem que vende.

Em nossa conversa pudemos diagnosticar alguns pontos que merecem destaque:

1. O que a empresa realmente quer?

Pode parecer incrível, mas no caso em questão, é nítido que a alta direção da corporação não faz a menor idéia de onde quer chegar. Sem objetivos realmente definidos ficamos totalmente perdidos, sem saber em que direção seguir. Estando nessa situação, até quando erramos ficamos sem conhecer o que está acontecendo para não dar certo.

O escopo de nossas atividades deve ser muito bem definido, acredito que esse ponto seja a chave para o sucesso de qualquer empreendimento. Por mais que utilizemos métodos de gestão e tecnologias, se o escopo não estiver adequado, certamente teremos problemas durante o andamento das atividades e, provavelmente, venha o fracasso.

2. Preparo da Equipe de Trabalho.

Não adianta gostarmos das pessoas que estamos selecionando para estarem à frente de um projeto, se estas não estiverem aptas a entender o escopo e as necessidades mínimas para que se alcance o mesmo, o trabalho vai rodar em círculos, indo e voltando ao mesmo ponto, sem evoluir efetivamente.

Não somente treinamento, mas talento natural ao assunto é importante para tocar um determinado projeto. De que adiantam horas e mais horas de aula, se a pessoa em questão não possui habilidade para fazer o que está sendo solicitado.

3. Desvio de Foco.

Por não haver um escopo adequadamente definido, o foco da equipe (que acredito não estar pronta para atuar) muda totalmente do qual se quer chegar. É muito comum direcionarmos esforços em uma direção que não leva ao sucesso do trabalho, mas pode causar enganos com os resultados aparentemente obtidos. Ou seja, com o foco errado, os dados e índices que demonstrariam a evolução do projeto não apresentam a realidade, mas são positivos e enganosos ao conselho diretor de uma empresa.

Neste ponto o problema torna-se grave, pois para os diretores os números estão evoluindo bem e a equipe está tendo sucesso, mas após algum tempo o retorno esperado não começa a se manifestar e, pior ainda, ninguém sabe a razão.

Muitas vezes, quando insucessos como esses ocorrem, ninguém pára e analisa onde foi que o empreendimento desandou, mas buscam culpados e/ou problemas na metodologia ou técnica aplicada. Com isto, novamente iniciam os trabalhos acreditando que desta vez vão resolver e tudo vai dar certo, mas ao final veremos um novo fracasso.

Além de minhas usuais críticas ao dia-a-dia que venho fazendo, vou dedicar alguns post à gestão de projetos e empreendimentos, passando por cada etapa necessária para o sucesso de uma atividade.

Afe, eu acho que a solidão do hotel me deixou inspirado, preciso voltar para Belém urgente!


Viajando a Trabalho

23/07/08

Estou viajando a trabalho, por isso minha ausência do blog. Hoje estou em Xinguara, sul do Pará. Para minha surpresa uma cidade muito organizada e com casas de luxo, obviamente todas pertencentes a fazendeiros que, segundo o povo local, passam a semana na fazenda enquanto a família fica na mansão maravilhosa. O hotel tem 3 estrelas e internet sem fio, fiquei realmente impressionado com a localidade, minhas expectativas era péssimas.

Estou devendo uns posts que prometi que faria, além da grande revelação sobre o trocadilho do “Quem Cortou o Meu Queijo”. Semana que vem estou de volta em Belém me preparando para sair de férias em agosto.

Caso alguém se importe com isso, gostaria de dizer que EU ODEIO O BRADESCO. Não vou entrar em detalhes das razões, senão fico irritado, quem sabe um dia explica minhas 120 razões para não querer mais ser cliente do referido banco.

Aos que estão com saudades de mim, tenham paciência, estou voltando para Belém. Talvez eu escreva alguma coisa amanhã aqui mesmo em Xinguara. Aos que não estão sentido falta de mim, vou voltar do mesmo jeito.

Abraços.


O Limpador de Privadas

14/07/08

Não sei se vocês já tiveram a opurtunidade de conversar com algum faxineiro de banheiro de shopping. Sem querer eu tive essa chance. Eu não esperava grandes coisas, principalmente quando ele puxou conversa.

- Dotô, o senhor sábia que o privada que o pessoal mais faz cocô é a última do corredor? Acho que é mais escondido, aí pessoal prefere mandar embora lá mesmo.

- Interessante, nunca tinha pensado nisso – disse lembrando que tinha acabado de usar a última privada, ainda que todas as outras estivessem livres.

- É por causa disso que ela é a mais suja e difícil de limpar, se eu fosse o sinhô eu usava a primeira, é sempre a mais limpinha.

Logo após me afirmar isso, ele abriu a porta da primeira privada e me mostrou como estava limpinha, o shopping já estava aberto há umas quatro horas e, segundo o faxineiro, ninguém havia usada ainda.

- É verdade, na próxima vez eu uso essa, mesmo não sendo tão escondida.

- Quando o dia esta calmo – continuou a conversa – eu me esforço muito em limpar bastante a última privada, mas se está agitado minha preocupação são as outras, porque ninguem deixa livre a última, só as primeiras que tem brecha. O sinhô acredita que mesmo tendo vaga em outras privadas, muita gente espera para usar a última.

- Sabia não, mas sua informação é muito importante, agora só vou usar a primeira. Obrigado, a gente se vê.

- Té mais dotô, não esquece de lavar as mão!

Lavo minhas mãos e saio do banheiro pensando o quanto aquele faxineiro era observador e inteligente. Ele, sem nenhuma instrução, analisou o panorama, definiu padrões e procedimentos para cada ocasião. O seu único intuito era possibilitar que as pessoas utilizassem um banheiro limpo, mas foi mais gestor do seu dia-a-dia do que todos nós, os “instruídos”, somos na verdade.

É certo que suas decisões e análises foram simples, mas ao invés de ficar sofrendo, se concentrou no seu problema e buscou a melhor forma de trabalhar, não teve preguiça de pensar, nem se desesperou. No final de tudo fez o que muitos de nós não faz: comunicou a um dos principais interessados em que seu trabalho seja bem feito, ou seja, eu. Ora! Quem não quer liberar um barro em um banheiro limpinho? Fazer cocô em lugar agradável é bom para todos nós! Vais negar?

Como gosto de dizer, as coisas são muito mais simples do que pensamos, gostamos de complicar as coisas de tal forma que chegamos a travar todo nosso cotidiano. Acho que um pouco mais de observação, paciência e uma forcinha para pensar nos ajudaria a diminuir nosso stress.


Um Viva Para o Dr. Gori!

9/07/08

Eu nunca havia me apercebido o quanto  o Dr. Gori, arqui-inimigo do Spectreman e maior vilão jamais criado na história, era importante até um amigo meu chamado Iran me dizer: “Cássio, o Dr. Gori é o maior vilão de todos os tempos, pois nenhum outro vilão jamais mandaria nele!”.

É a mais pura verdade, pois com cara de macaco, roupa rosa choque e cabelo louro com corte para lá de esquisitão, o Dr. Gori liderou de forma impar o gorila Caras (que em breve ganhará um post sobre criatividade, auto-confiança e lealdade). Sentado em sua mesa dava ordens simples e diretas para o seu liderado, jamais complicava as coisas desnecessáriamente e, principalmente, sempre explicava a razão de suas ações.

Tudo bem, seu trato pessoal e habilidade de ouvir não eram dos melhores, pois ante as falhas do Caras a esculhambação era geral,  ainda sim possui por mérito o fato de nunca ter deixado um feed-back para depois. Porém devemos levar em conta que o  Dr. Gori não era pessoa, mas sim um macaco, então está desculpado.

Ponto forte, também, ao Dr. Gori eram sua obstinação, confiança e persistência, sempre estava disposto e motivado, mesmo diante das derrotas que o chato do Spectreman o levava no final de cada episódio.

Ele teve um único e sério problema que o levou ao fracasso, não comunicou os seus planos aos principais interessados: os habitantes do planeta Terra. Ele achava que não teríamos inteligência suficiente para aceitar que ele podia nos salvar da poluição e decidiu virar governante do planeta e resolver tudo na marra.

Tenho certeza que com pequenos ajustes o Dr. Gori seria o personagem principal da estória, na verdade acredito que ele acabou por ofuscar o cabeçudo enlatado do Spectreman. Isso por ter sido direto e objetivo em suas ações, mas como todos nós, cometeu alguns erros que o levou ao fracasso.

Mesmo não tendo dado certo, peço a todos UM VIVA PARA O DR. GORI!

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Caso alguém tenha alguma curiosidade, segue um vídeo com a origem do Dr Gori e Caras.

Só para finalizar, um outro cara que merece um post é o chefe do Kenji (alterego do Spetreman), o cara é uma figura como chefe.


Vendendo Com Todo Gás

3/07/08

Tenho uma pequena experiência dentro da área comercial, de qualquer forma venho aprendendo como tratar corretamente um cliente, seja através técnicas de abordagem, convencimento, negociações, entre outras coisas. Porém jamais havia imaginado que existisse técnica tão “invasiva” como a que um dos promotores de venda de minha equipe utilizou ontem.

Estamos tentando vender nosso produto ao Clube da OAB há quase dois anos, porém sempre com problemas na hora de assinar o contrato. O  vendedor oficial da área já havia visitado este cliente em potencial diversas vezes e já estava desistindo do negócio quando foi convidado pelo seu colega de outra área para uma tentativa final.

 - Vambora lá Joca, eu te ajudo a fechar o negócio, conheço o pessoal da OAB.

 - Jacinto, eu já tentei várias vezes, o negócio lá não sai é nunca.

 - Deixa comigo, se não der certo a gente larga de mão.

 Após algumas visitas, o pessoal da OAB mais uma vez pede o contrato para verificarem juntamente como os vendedores. A idéia era fechar o negócio.

 - Tá vendo só Joca, eu falei que a gente ia conseguir.

 - Não empolga, vai ver a confusão para eles assinarem o contrato.

 - Eu tenho meus métodos – Disse Jacinto confiante.

 No dia da reunião para analisar e assinar o contrato reuniram-se na Sala Joca, Jacinto e o representante da OAB. Começou então um juridiquês pesado que, mais uma vez, iria acabar com o andamento do negócio.

Neste momento, Jacinto, percebendo o que estava por ocorrer, decidiu utilizar sua técnica para não perder a venda. Virou um pouco de lado na cadeira e PRÁ. Soltou um honroso e barulhento peido na maior seriedade e naturalidade.

Joca, estupefato, olhou para o lado sem saber o que fazer. O cliente tirou os olhos do contrato não acreditando no que estava acontecendo, principalmente pelo cheiro que estava começando a surgir em suas narinas.

 - E ai, mais algum questionamento? Pergunta Jacinto serenamente.

 - Bom – respondeu o cliente -  ainda precisamos analisar…

 Novamente Jacinto se vira de lado, para o desespero de Joca, e solta mais um audível e fedorento peido, com a mesma serenidade de antes, mas desta vez olhando firmemente para o cliente.

 - Sim, continue, qual sua dúvida em relação ao contrato?

 - Não tem mais nada, deixa eu assinar logo o contrato, está tudo claro e simples. Assim que vocês quiserem podem mandar todo o material para o clube e iniciamos a utilização.

 - Claro, na próxima semana está tudo pronto.

 Não agüentando mais o fedor na sala, o cliente convida tudo mundo para sair, pois estava muito ocupado para dar atenção para eles. Joca só não estava boquiaberto porque evitava a todo custo respirar, ainda sim não conseguia acreditar no que estava acontecendo.

- Até mais – disse Joca – Foi um Prazer negociar com vocês, qualquer hora a gente sai para um almoço.

 - Com certeza, depois a gente conversa, até mais.

 - Até mais – respondeu Jacinto, feliz pelo sucesso.

 Os dois me ligaram para contar a vitória, confesso que até agora não consegui tirar uma lição realmente sensata desta história, nem o executante da manobra soube me explicar como isso deu certo, só sabe que funciona.