Quem Cortou o Meu Queijo*

13/06/08

Me diz uma coisa, você já teve a oportunidade de ler o livro infantil Quem Mexeu No Meu Queijo” de Spencer Jonhson? Se leu acredito que percebeu que este clássico da auto-ajuda menospreza totalmente nossa inteligência. Caso não tenha lido, vou te passar a mensagem de forma respeitosa: Mudanças podem ser positivas, quando algum panorama estiver alterando, procure alternativas para seu dia-a-dia, não fique preso a conceitos arraigados que não te permitem ver novos horizontes, você precisa se adaptar. Pronto não precisa mais ler o livro. Tudo bem, eu sei que tem mais detalhes, mas não vale a pena perder tempo com isso.

Conforme um resumo bem básico que achei na internet, o conto ocorre com essa base:

“Os quatro personagens imaginários descritos nesta história os ratos: Sniff e Scurry, e os duendes: Hem e Haw – tem a intenção de representar as partes simples e complexas de nós mesmos, independentemente de nossa idade, sexo, raça ou nacionalidade.

Às vezes podemos agir como Sniff que percebe a mudança logo, ou Scurry que sai correndo em atividade, ou Hem que rejeita a mudança, resistindo-lhe, assim como teme que ela leve a algo pior, ou Haw que aprende a se adaptar a tempo, quando percebe que a mudança leva a alguma coisa melhor !

Quaisquer que sejam as partes de nós que escolhemos utilizar, todos nós dividimos algo em comum: a necessidade de encontrar nosso caminho no labirinto e ser bem-sucedido em períodos de mudanças.”

A mensagem do texto nos é apresentanda como uma estória para criança, por isso fico chateado com esse tipo de literatura, pois trata as pessoas como se elas não tivessem crescido. Concordo com muito da visão do autor, só não gosto da forma como é passada. Com toda sinceridade, pretendo no futuro ensinar minha filha com esse tipo de livro, jamais um profissional maduro.

Não entendo a razão de tanta alarde sobre este livro, pois a mesma mensagem poderia ser passada de forma bem humorada e direta, com exemplos práticos de nossa vida (lembram-se do exemplo que dei no post O Bicho Puxa-Saco). Se alguém precisa de contos infantis para entender uma mensagem como essa, me desculpem, mas tem algo errado com essa pessoa.

Vocês precisam de um livro para ajudar a entender como se comportar diante de uma mudança drástica e necessidade de adaptação? Leiam “Robson Crusoé” de Daniel Defoe. Um texto inteligente e muito mais interessante que dois duendes e dois ratinhos. Pode ter certeza que você tem senso crítico para ler este livro e encontrar lições para lidar com as mudanças de seu dia-a-dia.

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* Só um pequeno desafio (muito pequeno mesmo): a primeira pessoa que explicar corretamente o trocadilho que fiz com o título no post em referência ao título do livro ganha um exemplar de Robson Crusoé. Eu mando direto para casa do vencedor, é garantido!


O Exemplo de Franz Kafka

3/06/08

“Uma manhã, ao despertar de sonhos inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num gigantesco inseto”.

Quem já teve o enorme prazer de ler o livro “A Metamorfose” de Franz Kafka, sabe o valor deste livro para sociedade, principalmente por sua mensagem atual e verdadeira. É importante que o leitor busque contextualizar a situação do autor antes de chegar em alguma conclusão sobre a obra.

O livro trata da situação de Gregor Samsa ao acordar transformado em um inseto gigante, além todas as dificuldades que ele e sua família passam por conta do ocorrido.

Não quero fazer uma análise do livro, mas somente do comportamento de um único indivíduo: O Chefe do Sr. Samsa.

Por ser arrimo de família, Gregor sofre com a impossibilidade de sair para trabalhar, tendo em vista que estava trancado em seu quarto e não conseguia nem abrir a porta. Ele tinha absoluta certeza que seria demitido se não comparecesse para trabalhar, apesar de encontrar-se incapacitado.

Em um determinado momento chega o “Chefe do Escritório” para saber da ausência de seu funcionário. Se percorrermos o texto vamos observar algo bem parecido com que vemos hoje em dia, um chefe que finge estar preocupado com o empregado, quando na verdade sua preocupação está na perda de um dia de trabalho do seu funcionário.

Um ponto marcante é o fato que em todo momento o chefe expressa sua insatisfação com a possível doença, sua desconfiança com Gregor e, principalmente, a possibilidade forte de demissão.

Não é incomum vermos que atualmente coisas parecidas acontecem todos os dias, a maioria dos líderes não confia em sua equipe e acreditam que a única coisa importante é a empresa. Esquecendo que sem a equipe uma empresa não existe.

Se observarmos o texto de Kafka, logo no primeiro capítulo vamos perceber o desespero que a atitude de seu chefe gera para o empregado e sua família, desestruturando os pensamentos da personagem, levando-o a tomar atitudes desesperadas e assustando sua família.

Os líderes que agem de tal forma só conseguem uma equipe insatisfeita e nervosa por não ter a compreensão e confiança de seu “chefe”. Uma grande tensão é gerada e a porta do diálogo sincero e produtivo fecha abrupta e definitivamente.

Infelizmente tive a oportunidade de presenciar algumas vezes este tipo de acontecimento. Chega a ser ridículo ouvir de um gerente que seu companheiro de trabalho doente só faz falta por causa de suas obrigações na empresa. Não fosse a intervenção da assistente social, um colega de profissão, operado de um cisto no reto, teria recebido um notebook em casa para continuar suas atividades.

Será que não estamos agindo dessa forma com nossos liderados? Será que estamos preparados para olhar os profissionais como pessoas? Não acredito nessa estória de separar o profissional do pessoal, pois os profissionais são pessoas, nunca conseguiremos separar as duas figuras.

É incrível como Franz Kafka consegui escrever em 1915 um texto que possui uma reflexão tão importante para os profissionais de hoje e, principalmente, para nossas vidas pessoais. Acredito que em um ambiente assim, uma equipe está fadada ao fracasso.


Desisti de Ler “O Monge e o Executivo”

1/06/08

Tentei com todo meu apreço terminar de ler o Livro “O Monge e o Executivo“, mas infelizmente não deu, prometo que tento novamente nas minhas férias. Meu objetivo era tentar fazer uma crítica ao mesmo, mas o livro é tão ruim que eu desisto de analisar capítulo a capítulo buscando uma exegese sensata do texto, evitando que eu parecesse um idiota que não entendeu a mensagem do livro.

O que mais me irrita é que somos tratados como imbecis pelo autor, o qual ao invés de discorrer sobre o assunto, tenta nos levar a uma sessão de terapia em grupo com os personagens representando os tipos de líderes mais comuns, os quais precisam de conselhos profissionais. A pior parte é que essa terapia é dirigida por um monge que trabalhou tanto a ponto de não ter aproveitado bem família, se isolou no monastério após perder a esposa e, conforme o livro, quer orientar as pessoas como serem melhores líderes para poderem trabalhar mais e melhor. Um contra-senso que deveria chamar a atenção de todos.

Em outro texto me expressei por não gostar de livros de auto-ajuda, o que certamente influenciou minha leitura deste exemplar. Ainda sim, afirmo que um pouco de bom senso e uma explanação direta sobre liderança pode ajudar muito mais as pessoas que estão em dificuldades no assunto, é melhor do que a tentativa de tratá-los como indivíduos que não tem capacidade de pensar sozinhos.

Não entendo muito bem como esses tipos de livros acabam por fazer tanto sucesso, talvez seja uma grande angústia trazida pelas pressões exacerbadas da vida profissional contemporânea, ou uma exigência ainda maior pela produtividade cada vez mais aprimorada com custos cada vez menores. Acredito que isso só está piorando as pessoas, ao contrário do que a grande mídia carreirista vem pregando.

Outro ponto que me irrita é o fato de haver um grupo enorme de aproveitadores explorando os fãs do livro através de palestras, artigos, livros que analisam o livro, entre outras coisas que tem por objetivo único o lucro.

Andei conversando com um amigo meu, chegamos a conclusão que hoje não é mais necessário escrever um bom livro para ganhar dinheiro. Na verdade basta esperar que alguém escreva um livro que faça sucesso e depois lançar um outro livro sobre como usar o primeiro. Tivemos a idéia de lançar o nosso, o título vai ser: “O Monge Que Mexeu no Meu Queijo e O Executivo que Transformou o Suor em Ouro”. Vamos ficar ricos!

Falando sério agora, acredito que se quisermos mesmo melhorar como pessoas através da leitura, é muito melhor lermos autores Jorge Amado, Kafka, Shakespeare, Dostoiévski, além de muito outros que nos trazem muito mais mensagens que devemos levar para vida do que livros de auto-ajuda.

Não leve minha mensagem como arrogante. Na verdade eu apenas acredito que as pessoas são muito mais capazes do que vemos pregado por aí, basta darmos a chance para pensarem sozinhas. Ninguém precisa sofrer uma lavagem cerebral para viver bem.