Voltando de Férias

5/09/08

Cá estou de volta de minhas férias, agora não mais rio-me de quem está trabalhando, pois meu ócio findou-se. Algumas coisas interessantes merecem ser escritas sobre este período e sobre meu retorno ao trabalho. Comecemos pelas férias.

Durante meu merecido descanso viajei para Fortaleza com minha família. A viajem foi excelente, mas não pude deixar de observar coisas que me incomodavam no local, seguem algumas:

1. Segurança

A cidade está com sua avenida beira-mar cheia de crianças desabrigadas que vivem por importunar os turistas. Durante um dos eventos que presenciei, um jovem italiano estava desesperado sendo perseguido por uma criança enquanto outra gritava asneiras para ele. Em um momento de desespero parou em uma banca de tapioca e perguntou.

- A Senhora vende cocada!

- Cocaaada – gritou a criança – isso ai é tapioca, se quer cocada vai para favela!

- Mas estou numa favela! Respondeu o rapaz fugindo para dentro de uma farmácia

O mais ridículo é que enquanto isso estava acontecendo, três humoristas vestidos de policiais militares estavam no maior bate-papo a menos de 20 metros do local, certamente riam de piadas que contavam uns aos outros, ao invés de defender o cidadão. Acho que o italiano tinha razão, a praia do Meireles estava mais para favela mesmo.

Obs. Me nego a chamar estas crianças de moleques, pivetes ou qualquer outra forma pejorativa. Na verdade eles são mais vítimas que todos nós.

2. Exploração ao Turista

Não sou advogado, mas acho que cobrar obrigatoriamente 10% de taxa de serviço para tudo que compramos é abuso, além dos preços altos de tudo o que é consumido, você ainda será aumentado. Caso não queira pagar, só falando com o gerente, pois faz parte da convenção coletiva. Gostaria de saber se esta convenção prevê um atendimento adequado para que o cliente decida se vai pagar esta taxa com base na qualidade dos serviços que lhe foram prestados.

3. Agentes de Hotéis

Não sei se algum de vocês já passou por isso, mas em todos os lugares somos abordados por pessoas nos pedindo para gastar uns 60 minutos conhecendo um hotel, ganhar um almoço e um desconto para algum passeio turístico. Desde já alerto a todos, não se metam nisso.

Cai na besteira de filar uma bóia grátis e um desconto para o Beach Park e perdi um dia da minha viajem, fora que fiquei estressado. Ao chegar ao local você é apresentado a um consultor que só vai mostrar o hotel depois de lhe apresentar um programa de férias para 200 anos de hotéis de luxo. Não vou viver 200 anos e se virar herança vai dar até briga!

O tempo de apresentação é de quase 4 horas, o almoço é uma droga, o plano de férias custa uns R$ 40.000,00 fora as taxas de manutenção.

Já estávamos tão irritados que mesmo se quiséssemos não compraríamos, só para fazer raiva na vendedora. Tudo bem vender seu produto, mas não atrapalhando o cliente.

Não fosse pelo desconto eu tinha ido embora após 30 minutos, ou logo depois de filar o almoço, pois achei um charlatanismo de primeira. Na praia dizem que é para conhecer o hotel com intenção de divulgação, chegando lá o hotel não é o que interessa e sim tentar te arrancar uma grana preta.

Além disso, não tivemos do que reclamar, a viajem foi maravilhosa. e não tínhamos preocupação com quase nada, só nos divertirmos e engordarmos. Aliás, se é para sair de férias e não engordar é melhor nem sair, onde já se viu comer barrinha de cereal e ficar se pesando nas férias.


Ócio Doce Ócio

18/08/08

Férias, feliz férias em que me encontro.

Pratico, neste momento, com maestria a inutilidade humana.

Ócio, sim o ócio é doce.

Aos que não o praticam!

Rá! rio-me de vocês

Não sabem o doce sabor de não fazer nada.

Trabalho! Nem pensar sobre o assunto quero.

Na minha mente não surge quase nada.

As vezes uma frase do Brilhante Roger: “A gente somos inúteis”

Textos e análises, somente em setembro.

Enquanto isso, fico no ócio.

Desfruto cada minuto o nada fazer.

Aos que não estão de férias!

Rá! Rio-me de vocês.

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Não sei isso acima é uma poesia ou um monte de frases desconexas que expressam meu estado de espírito, mas não vou pensar muito, pois senão saio em demasia do meu ócio.


Viajando a Trabalho

23/07/08

Estou viajando a trabalho, por isso minha ausência do blog. Hoje estou em Xinguara, sul do Pará. Para minha surpresa uma cidade muito organizada e com casas de luxo, obviamente todas pertencentes a fazendeiros que, segundo o povo local, passam a semana na fazenda enquanto a família fica na mansão maravilhosa. O hotel tem 3 estrelas e internet sem fio, fiquei realmente impressionado com a localidade, minhas expectativas era péssimas.

Estou devendo uns posts que prometi que faria, além da grande revelação sobre o trocadilho do “Quem Cortou o Meu Queijo”. Semana que vem estou de volta em Belém me preparando para sair de férias em agosto.

Caso alguém se importe com isso, gostaria de dizer que EU ODEIO O BRADESCO. Não vou entrar em detalhes das razões, senão fico irritado, quem sabe um dia explica minhas 120 razões para não querer mais ser cliente do referido banco.

Aos que estão com saudades de mim, tenham paciência, estou voltando para Belém. Talvez eu escreva alguma coisa amanhã aqui mesmo em Xinguara. Aos que não estão sentido falta de mim, vou voltar do mesmo jeito.

Abraços.


Um Viva Para o Dr. Gori!

9/07/08

Eu nunca havia me apercebido o quanto  o Dr. Gori, arqui-inimigo do Spectreman e maior vilão jamais criado na história, era importante até um amigo meu chamado Iran me dizer: “Cássio, o Dr. Gori é o maior vilão de todos os tempos, pois nenhum outro vilão jamais mandaria nele!”.

É a mais pura verdade, pois com cara de macaco, roupa rosa choque e cabelo louro com corte para lá de esquisitão, o Dr. Gori liderou de forma impar o gorila Caras (que em breve ganhará um post sobre criatividade, auto-confiança e lealdade). Sentado em sua mesa dava ordens simples e diretas para o seu liderado, jamais complicava as coisas desnecessáriamente e, principalmente, sempre explicava a razão de suas ações.

Tudo bem, seu trato pessoal e habilidade de ouvir não eram dos melhores, pois ante as falhas do Caras a esculhambação era geral,  ainda sim possui por mérito o fato de nunca ter deixado um feed-back para depois. Porém devemos levar em conta que o  Dr. Gori não era pessoa, mas sim um macaco, então está desculpado.

Ponto forte, também, ao Dr. Gori eram sua obstinação, confiança e persistência, sempre estava disposto e motivado, mesmo diante das derrotas que o chato do Spectreman o levava no final de cada episódio.

Ele teve um único e sério problema que o levou ao fracasso, não comunicou os seus planos aos principais interessados: os habitantes do planeta Terra. Ele achava que não teríamos inteligência suficiente para aceitar que ele podia nos salvar da poluição e decidiu virar governante do planeta e resolver tudo na marra.

Tenho certeza que com pequenos ajustes o Dr. Gori seria o personagem principal da estória, na verdade acredito que ele acabou por ofuscar o cabeçudo enlatado do Spectreman. Isso por ter sido direto e objetivo em suas ações, mas como todos nós, cometeu alguns erros que o levou ao fracasso.

Mesmo não tendo dado certo, peço a todos UM VIVA PARA O DR. GORI!

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Caso alguém tenha alguma curiosidade, segue um vídeo com a origem do Dr Gori e Caras.

Só para finalizar, um outro cara que merece um post é o chefe do Kenji (alterego do Spetreman), o cara é uma figura como chefe.


Vendendo Com Todo Gás

3/07/08

Tenho uma pequena experiência dentro da área comercial, de qualquer forma venho aprendendo como tratar corretamente um cliente, seja através técnicas de abordagem, convencimento, negociações, entre outras coisas. Porém jamais havia imaginado que existisse técnica tão “invasiva” como a que um dos promotores de venda de minha equipe utilizou ontem.

Estamos tentando vender nosso produto ao Clube da OAB há quase dois anos, porém sempre com problemas na hora de assinar o contrato. O  vendedor oficial da área já havia visitado este cliente em potencial diversas vezes e já estava desistindo do negócio quando foi convidado pelo seu colega de outra área para uma tentativa final.

 - Vambora lá Joca, eu te ajudo a fechar o negócio, conheço o pessoal da OAB.

 - Jacinto, eu já tentei várias vezes, o negócio lá não sai é nunca.

 - Deixa comigo, se não der certo a gente larga de mão.

 Após algumas visitas, o pessoal da OAB mais uma vez pede o contrato para verificarem juntamente como os vendedores. A idéia era fechar o negócio.

 - Tá vendo só Joca, eu falei que a gente ia conseguir.

 - Não empolga, vai ver a confusão para eles assinarem o contrato.

 - Eu tenho meus métodos – Disse Jacinto confiante.

 No dia da reunião para analisar e assinar o contrato reuniram-se na Sala Joca, Jacinto e o representante da OAB. Começou então um juridiquês pesado que, mais uma vez, iria acabar com o andamento do negócio.

Neste momento, Jacinto, percebendo o que estava por ocorrer, decidiu utilizar sua técnica para não perder a venda. Virou um pouco de lado na cadeira e PRÁ. Soltou um honroso e barulhento peido na maior seriedade e naturalidade.

Joca, estupefato, olhou para o lado sem saber o que fazer. O cliente tirou os olhos do contrato não acreditando no que estava acontecendo, principalmente pelo cheiro que estava começando a surgir em suas narinas.

 - E ai, mais algum questionamento? Pergunta Jacinto serenamente.

 - Bom – respondeu o cliente -  ainda precisamos analisar…

 Novamente Jacinto se vira de lado, para o desespero de Joca, e solta mais um audível e fedorento peido, com a mesma serenidade de antes, mas desta vez olhando firmemente para o cliente.

 - Sim, continue, qual sua dúvida em relação ao contrato?

 - Não tem mais nada, deixa eu assinar logo o contrato, está tudo claro e simples. Assim que vocês quiserem podem mandar todo o material para o clube e iniciamos a utilização.

 - Claro, na próxima semana está tudo pronto.

 Não agüentando mais o fedor na sala, o cliente convida tudo mundo para sair, pois estava muito ocupado para dar atenção para eles. Joca só não estava boquiaberto porque evitava a todo custo respirar, ainda sim não conseguia acreditar no que estava acontecendo.

- Até mais – disse Joca – Foi um Prazer negociar com vocês, qualquer hora a gente sai para um almoço.

 - Com certeza, depois a gente conversa, até mais.

 - Até mais – respondeu Jacinto, feliz pelo sucesso.

 Os dois me ligaram para contar a vitória, confesso que até agora não consegui tirar uma lição realmente sensata desta história, nem o executante da manobra soube me explicar como isso deu certo, só sabe que funciona.


Nem Todo o Desespero É Desesperador

30/06/08

Hoje eu estava na minha sala no trabalho quando um cliente ligou para meu assistente desesperado com uma reclamação durante uma vistoria dos bombeiros em seu restaurante.

- Olha, eles condenaram tudo o que está aqui, se continuar assim vão me autuar e talvez até fechar o estabelecimento. Pelo amor de Deus me ajudem!

- Calma senhor, vamos mandar nossos técnicos avaliar e vamos corrigir o quanto antes.

- Mandem logo, não podemos esperar!

Quando meu assistente desligou, conversei com ele e decidi ir junto com um dos rapazes de minha equipe. Um desespero desse só poderia ser por um vacilo muito grande do pessoal, então eu queria ver pessoalmente.

Quando chegamos, aguardamos um pouco e fomos recebidos pelo responsável pela manutenção que, bem mais tranquilo que o dono do local, nos chamou para mostrar a solicitação dos bombeiros.

- Aqui pessoal, os bombeiros disseram que precisava trocar estas duas mangueiras aqui.

- Só isso? – Perguntei sem entender tamanho alarde.

- É, só isso, se não trocar em um mês eles vão nos autuar.

- Então nós temos um mês para trocar duas mangueiras?

- É, eu falei para o Sr. Eurípedes que não tinha emergência, mas ele ficou desesperado com o jeito que os bombeiros passaram a notificação para ele. Acho que ficou nervoso a toa.

- Realmente, nós temos isso no estoque e, na realidade, se formos a fundo na discussão, não precisa nem mesmo trocar. Para evitar problemas a gente troca logo.

- Tá bom então, era só isso.

Um pouco chateado por ter perdido minha tarde toda com isso, mas feliz pelo passeio forçado, imaginei a situação que os ficais colocaram o dono do restaurante, pois ele teve seu negócio ameaçado sem nem saber o que realmente estava acontecendo. Dois problemas nesse caso:

1. Os bombeiros deveriam ter tido mais tato na forma de notificar, pois dependendo da forma como falamos as coisas podemos piorar muito a mensagem que queremos passar.

2. Antes de sair dando tiros para cima do meu pessoal, o proprietário do estabelecimento deveria ter analisado com mais cautela o que estava sendo pedido, pois o bom senso mostraria a ele o quanto era simples e, se necessário, ele mesmo poderia fazer no mesmo dia.

Pensar antes de agir, para ambos os casos seria o segredo para evitar problemas maiores do que você já tem.

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Mudando de assunto, recebi uma cópia do documentário baseado no livro “O Segredo”. Assisti metade, mas é a pior coisa que já vi. Vou escrever meu próximo post sobre ele, porém preciso de mais tempo para tamanha crítica à tanta bobagem junta.


Quero Ser Digitador de CC Quando eu Crescer!

19/06/08

Acredito que muita gente ouviu falar na tecnologia Closed Caption (CC para os íntimos). Trata-se de um sistema de legenda para a televisão comum, sendo que o usuário decide se quer usar ou não.

Desde que minha filha nasceu, tenho utilizado o CC (olha o trocadilho ai gente) para evitar o barulho com televisão quando ela está dormindo. É muito divertido, principalmente quando é programa ao vivo, os erros são constantes, os comentários sobre o som são toscos demais. Não sei se tem um digitador que, igual ao um taquígrafo, vai digitando tudo o que é falado, mas dá muita bobagem. Depois que comecei a utilizar virou vício, preciso acompanhar o CC, fica melhor ainda ouvindo o que está sendo falado.

Para um deficiente auditivo pode dar até confusão quanto a informação. Ontem em uma programa o cara disse: “Eu troxe um pedido para você.”, no CC saiu: “Eu trouxe um PEIDO para você.” Tem como não se divertir com um negócio desses.

Outra coisa legal são os comentários sobre os sons ambientes, tem de todo o tipo:

“Burburinhos” – um monte de pessoas falando em uma cena da TV.

“Musica suave de fundo” – se eu precisar explicar este, desista de ler qualquer outro post aqui!

“Som de pessoa correndo” – adianta dizer para um surdo que na cena tem o som de uma pessoa correndo, ele nunca ouviu mesmo!

Sem contar um símbolo de musiquinha tocando que eles insistem em colocar.

Acredito que deve ser um trabalho meio estressante, especialmente quando os programas são ao vivo. Os caras devem ficar desesperados. Deve ter gente que não aguenta e só de mal muda os textos para confundir o pobre deficiente auditivo.

Confesso que fiquei com vontade de trabalhar com isso, se alguém souber como faço entra em contato.

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Estive pensando (não, não fedeu). Ninguém além do Ronaldo tentou responder o desafio do post anterior, será que é tão difícil assim? Vou dar uma dica “É um trocadilho com origem na inglês estadusunidense).


Vai Dar Parabéns Pra Tuas Nega!

8/06/08

Encontrava-me em uma reunião que fora convocado sem entender nada do assunto. No mais absoluto silêncio tive o prazer de assistir a seguinte conversar.

- Então, já sabem como resolver a porcaria do problema! – Esbravejou o gerente da área.

- A minha parte eu já fiz! – comenta Aldenor, na defensiva – O problema está com o Demerval!

Um clima pesado se forma na reunião. Demerval sabe o que fazer, mas espera uma reação negativa do chefe. Ele tinha razão, o gerente ia mesmo perder o controle. Eu continuei calado.

- QUE BOSTA DEMERVAL! COMO VAI SER AGORA!

- Basta ligarmos as bombas A e B enviando ao tanque A e tudo se resolve.

- Muito bem, é isso que precisamos, pessoas que resolvam o problema.

Neste momento, como o clima aparentava melhorar, Aldenor resolve abrir o bico.

- Excelente Demerval! Você está de Parabéns! Parabéns mesmo.

- Parabéns por quê? Você não tinha feito sua parte? Pois então, eu fiz a minha. Tá querendo aparecer é? Teu parabéns não vale nada pra mim!

- Cara eu só estou te elogiando.

- Elogiando! Você tá é querendo aparecer pro chefe! Vai dar parabéns pra tuas nega!

Neste momento o chefe resolve interferir

- Pessoal, vamos parar de bobagem, o problema já foi resolvido, sigamos em frente, somos uma equipe!

Todos se calaram e foram para seus cantos quietos. O único intuito de todos era sair de perto daquele que a qualquer momento poderia dar uma cacetada em alguém.

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O relato acima também é verdadeiro, assim como no post anterior (Créu). Existem pontos interessantes a serem observados, mas deixo por conta dos que resolverem comentar. O único ponto que levanto é que se você gerar um clima de medo na equipe, todos vão ficar só se defendendo, ninguém vai pensar em ajudar os outros. O único objetivo é não tomar um Créu.

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CRÉU

5/06/08

PLAM!

Uma forte batida sobre a mesa espanta todos da equipe que participavam da reunião.

- COMO OS TANQUES NÃO FICAM PRONTOS HOJE! – Esbraveja o gerente da área.

- Não sei, eu apenas procedo com as atividades após os tanques ficarem prontos – responde Demerval.

Com um olhar animal e maligno, o gerente procura entre todos oito indivíduos que estão na mesa de reunião, deparando-se com o jovem Genésio, o novato da equipe.

- CACETE GENÉSIO! Como é que você deixou isso acontecer?!

- Mas chefe, eu não cuido dos tanques, meu setor é outro – responde Genésio assustado.

- Você cuida de tanques sim!

- Nunca soube que isso era minha responsabilidade…

- Agora sabe, então responde minha pergunta!

- Mas, mas, mas eu…

- Mas o CACETE! – grita mais uma vez o gerente – Tu tens que te espertar, como é que você deixa isso acontecer, e agora como vai resolver! E o Prejuízo, você imagina quanto vai ser, se fosse do seu bolso estava cuidando melhor. Se quiser crescer aqui, meu amigo, vai ter que mudar muito a sua postura! Te vira e resolve o problema! Para mim você está assinando atestado de incompetência!

- Chefe – Interrompe Demerval – O Genésio não tem nada com isso não…

- Eu não pedi tua opinião! Agora vão os dois daqui e resolvam o problema!

Enquanto isso, todo o resto da equipe se mantém de cabeça baixa, além do nervosismo que impera no ar, um silêncio frio e preocupado com quem seria o próximo a sofrer nas mãos do Chefe.

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Por incrível que pareça, essa história é verdadeira. Eu fui um dos que fiquei calado de cabeça baixa. Outras vezes levei o créu, enquanto os outros ficavam de cabeça baixa.

Hoje não trabalho mais com essa pessoa, mas foi uma das coisas que me fizerem procurar outro trabalho.


O Bicho Puxa-Saco

26/05/08

O bicho puxa-saco (Babadoris Ovílicus) é um animal que jamais vai entrar na lista dos que estão em extinção, não adianta destruir seu habitat. Adaptando-se a qualquer meio, demonstra uma capacidade de sobrevivência impressionante. Não existe espécie no planeta que consiga suportar mudanças bruscas no seu ambiente e manter-se com o mesmo número de indivíduos e, dependendo da mudança, ainda conseguem se multiplicar.

Suas técnicas de sobrevivência são interessantes, consistem em algumas atitudes simples, porém eficazes. É importante avisar que as informações a seguir são de conteúdo forte, é recomendada precaução às pessoas cardíacas, mulheres grávidas, crianças e gente xiliquenta.

  1. Identificação de Uma Espécie Superior - Quando adentra em seu novo ambiente, procura descobrir quais espécies pode garantir sua sobrevivência, desta forma se aproximar e inicia o que os biólogos chamam de simbiose1.  Normalmente fica a espreitar um espécime do bando que possua as seguintes características: decidem quem faz o que, distribuem o alimento e, principalmente, determina quem pode ficar no bando – A este indivíduo do bando vamos chamar de Chefe.
  2. Aproximação com o Chefe do Bando – Começa uma fase que é crucial para a sobrevivência: ganhar o apreço do Chefe. Pode parecer fácil, mas não é incomum o bicho puxa-saco encontrar outros de sua espécie já habitando ao redor o líder do bando, assim começa uma luta feroz pela atenção do cobiçado chefinho, este é o único ponto fraco do Babadoris.  Ainda sim, começa a fazer favores ao chefe, busca comida, leva recados, ajuda nas tarefas e, se necessário, apela para o sexo.
  3. Concordância Total – Após garantir sua estada no bando, começa o aperfeiçoamento de sua relação com o Chefe. Limita sua linguagem a duas frases básica: “Sim, concordo com o senhor” e  “Sua Idéia é excelente”. É claro que existem variações, mas a base é a mesma.
  4. Rir da Piada do Chefe – Esta prática é a mais nefasta, mas eficácia inquestionável, pois o chefe adora que o achem engraçado. A piada pode ser completamente sem graça, mas a risada será verdadeira (pelo menos deve parecer), com soluços e, se possível, até lágrimas de tanto rir.

Está não são as única dificuldades que o puxa-saco enfrenta em sua batalha pela vida. Existe uma que é a mais preocupante e traz grande tensão ao bicho: A demissão do Chefe. Quando ocorre esta troca, um Babadoris fica desnorteado, a possibilidade de ser retirado do bando é grande. Portanto deve agir com máxima precaução, pois os outros da sua espécie estão prontos para atacar o novo líder do bando.

Sua atitude deverá ser pensada, nada pode dar errado. Elabora uma despedida honrosa ao antigo chefe,  exalta todas as suas qualidades (não, um Babadoris nunca se lembra de qualquer defeito do chefe), aponta suas vitórias e ao fim de todo o discurso abusa da paciência de todos botando Canção da América de Milton Nascimento. Tudo isso por não saber se um dia pode re-encontrar o indivíduo que o mantivera vivo até aquele momento.

Quanto ao novo chefe, logo nos primeiros instantes fica lado dele o dia todo, não fala nada para que ele não perceba que o Babadoris, na verdade, é um elemento inútil para o bando. Redobra sua atenção ao líder, então aplica os mesmo princípios que garantiram a sua sobrevivência. O perigo é quando o novo manda-chuva traz o seu próprio puxa-saco, então não há muito mais o que fazer. O Antigo Babadoris do grupo está fadado a procurar outro lugar para sua sobrevivência. Não tem importância, eles são bons nisso, no final de tudo sempre vão existir sacos para serem puxados e ovos para serem babados.

 

1Simbiose é uma relação mutuamente vantajosa entre dois ou mais organismos vivos de espécies diferentes. No caso da relação puxa-saco e chefe, o puxa-saco garante sua sobrevivência e o chefe garante que seu saco fique limpo e lustrado com as constantes babadas e puxadas do Babadoris Ovílicus. Alguns biólogos questionam se, para o chefe, realmente existe algum benefício nessa relação.

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